
Trevas
E o pior é que chamamos liberdade
a um tapete que, rolante, já não ouve
a opinião dos nossos pés; que nos leva
para onde e anuímos, alheados,
aos mecânicos desígnios do terror.
a um tapete que, rolante, já não ouve
a opinião dos nossos pés; que nos leva
para onde e anuímos, alheados,
aos mecânicos desígnios do terror.
Respiramos cadeados, consumimos injustiça,
damos duas várias voltas ao risonho torniquete
que nos serve de chapéu; trocamos a cabeça
por um prato de aspirinas. Os clássicos da vida
sem tristeza nem remorso (Cinderela,
Varadero, off-shore) iluminam o cenário
em que dormimos, inocentes como balas
e nem sei como não somos mais felizes.
As rémoras, os ogres, os deuses mais bonitos,
velam nossa carne como grifos educados.
damos duas várias voltas ao risonho torniquete
que nos serve de chapéu; trocamos a cabeça
por um prato de aspirinas. Os clássicos da vida
sem tristeza nem remorso (Cinderela,
Varadero, off-shore) iluminam o cenário
em que dormimos, inocentes como balas
e nem sei como não somos mais felizes.
As rémoras, os ogres, os deuses mais bonitos,
velam nossa carne como grifos educados.
O tratado das sementes, o saber do lenhador,
queremos lá saber de quem é pobre como nós.
Confiados ao acaso, disputamos amuletos,
reforçamos sob os pés a solidez do desacerto,
colocamos outra pedra no sapato.
Para o centro do inferno dirigimos
este filho, o filho deste carro,
cativados pelo direito conquistado
de entregar os nossos dias, como rezes,
ao cutelo de despachos infiéis.
Neste cerco, viver é uma questão
de prorrogar o desalento, de iludir
o infortúnio: cerramos uma porta suicida,
desatamos a gravata, ficamos satisfeitos
quando o gelo, na bebida, é de boa qualidade.
Se olhamos para o chão desaparece
o horizonte; se olhamos para o céu
ficamos sós. Não percebo como rimos
quando pedem que posemos para a foto
de família. Alguém nos enganamos.
Confundidos pelo surto de mentira,
leiloados pela última hipnose,
enxertados no pedúnculo da morte,
semi-envergonhados, de sorriso padecido,
dizei-me se este rosto de cartão amarrotado,
se esta alma como um campo pedregoso,
se estes pés adaptados ao espinho,
se isto que nós vemos é um homem.
Jose Manuel Silva

5 comentários:
é lindo este poema,tão humano, ae na sua imperfeição dentro da perfeição que o achei.
Ontem estava a dar uma volta pelos poetas portugueses e encontrei la este que pura e simplesmente me fascinou ...
Olá! "Bigada" pelos teus preciosos contributos no blog "poraquiporacola", Lipinhu!
Essa tua faceta de poeta "oculto" eu desconhecia... Se bem k sempre achei k havia aí uma veia artística a pulsar!É bom saber que ainda há muito kem goste de poesia, e mais, do conhecimento, dos valores, das vivências que ela encerra!
Parabéns pelo teu "blog"!
Kisses & hugs!
Light
Obrigado light,fico grato pelo elogio mas de facto nao havia veia nenhuma, simplesmente descobri este pequeno prazer a pouco talves o faça como um possivel "refugio".
Espero pelos seus contributos por aqui e ja sabe que tudo isto e sigilo e so lho disse porque confio muito em você.
Aqui nao se fala inglês assim ja me dezenrasco muito melhor (=
Eu nao sou poeta porque os poetas sao fingidores::D lol "trauma de pessoa" (=
Bjinhos e ate uma proxima
Trevas....
Por que mudaste,
Teu modo de agir?
A lugar nenhum chegaste
Não se pode fugir.
Tu não nasceste assim!
Trocar de personalidade,
Até esqueceste de mim,
Mas não se ofusca a realidade!
Podes tentar vestindo outra roupagem,
Se adaptar com outro modo de viver,
Aprender usar outra linguagem,
Entretanto tua origem tu nunca irás esquecer
Tu não és feliz, pois já te vi chorando!
Para que viver de migalhas de carinho,
Eu continuo onde me deixaste e esperando.
A não ti ter comigo, prefiro ser sozinho!
Para voltares não precisa pedir perdão,
Minha porta sempre esteve aberta
È só entrar sorrindo e me estender a mão.
Só depende de ti, por mim a felicidade é certa!
Ubirajara
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