sábado, 12 de abril de 2008





Qualquer coisa de obscuro permanece
No centro do meu ser. Se me conheço,
É até onde, por fim mal, tropeço
No que de mim em mim de si se esquece.


Aranha absurda que uma teia tece
Feita de solidão e de começo
Fruste, meu ser anónimo confesso
Próprio e em mim mesmo a externa treva desce.


Mas, vinda dos vestígios da distância
Ninguém trouxe ao meu pálio por ter gente
Sob ele, um rasgo de saudade ou ânsia.


Remiu-se o pecador impenitente
À sombra e cisma. Teve a eterna infância,
Em que comigo forma um mesmo ente.


Fernando Pessoa
Fotografia de bruno silva in olhares.com

4 comentários:

Adelaide Carneiro disse...

É bom voltar a ler-te :)

UNKNOW disse...

Obrigado laidinha, ate eu sentia falta de o fazer (=

Adelaide Carneiro disse...

mas mais agradável seria ler algo mesmo teu =)

UNKNOW disse...

;D Inspiração acima de tudo **