sexta-feira, 21 de março de 2008


CLARO-ESCURO


Dia da vida
Noite da morte...
O verso
E o reverso
Da medalha.
E não há desespero que nos valha,
Nem crença,
Nem descrença,
Nem filosofia.
Esta brutalidade, e nada mais:
Sol e sombra - o binómio dos mortais.

Só que o sol vem primeiro,
E a sombra depois...
E à luz do sol é tudo o que sabemos:
Juventude,
Beleza,
Poesia,
E amor
-Amargo fruto que na sepultura,
Em vez de apodrecer, ganha doçura.


Miguel Torga
Fotografia de Margarida Amaral in olhares.com

5 comentários:

Adelaide Carneiro disse...

A eterna dúvida do binómio existencial... sempre em opostos...Tão diferentes no entanto atraim, mas também afastam! Conradição... Oposição... Dúvida... mas também afirmação e querer saber que depois da noite fria virá o sol para me aquecer.. e que voltará a noite com a lua para velar os meus sonhos... e se a lua não vier?

Adelaide Carneiro disse...

Queria dizer *Contradição

UNKNOW disse...

Se a lua não viesse laidinha, ficariamos a deriva, perdidos ate que alguem nos achasse.

Adelaide Carneiro disse...

Será que alguém nos pode achar, quando nós não sabemos de nós!

UNKNOW disse...

E facil de nos perdermos e dificil de encontrar-nos, mas pode ser que alguem segure o leme e faça frente a um novo destino, ou NÂO!